“Faltas e ausências me angustiam. E a angústia me fez entender que as coisas sempre são difíceis em minha vida, chegando pela metade, tentando ser inteiro em mim. Ando cercada de pessoas monótonas, semanas cheias de monotonias. Parando no meio do caminho, precisando seguir na estrada. Com a estrada sendo longa, e vendo a vida passar num fio, ainda pior, passar por mim. Quem quiser que se junte a esse fio, e passe rápido. Sem brandura.
Num lamento sem fim. Perdi o fio da meada, pretendia voltar ao início, sem sucesso. Não quero perder o amor de vista, nem quero que o amor me perca de vista. O sol já vai nascer, talvez seja isso que ainda sustente as cortinas caindo, o sofá quebrado, o fogão sujo, e as paredes (coração) com rachaduras. Quando a noite vem, sinto meu corpo congelar, sinto meus dedos ficarem sem movimento, os sentidos perdem a forma e a razão. Não sinto as emoções. Até o deitar congelante entre as cobertas. Até o frio pegajoso em meus pés. Com o chão gelado, esperando o toque dos meus pés - ainda congelantes. O espelho esperando o meu reflexo, com os cabelos bagunçados, o pijama amarrotado. O silêncio no escuro do quarto. Senti a ausência aprofundando, as vozes fazendo barulho no silêncio. O que eu poderia fazer com a turbulência em alta, o som que não cessava, mas eu não fazia a mínima noção do que estava sendo falado?
Também existem esses momentos de querer solidão, de querer paz em meio multidão. Também existe o momento em que a tristeza quer se transformar em felicidade, mesmo sem motivos. Quer ser fininha, e baixa. Pra que ninguém possa ouvir. Existe o momento da saudade, transbordando no olhar, sem saber aonde ir e quando vai parar. Mas, nunca para, não é?”
- Clara Corte (via claracorte)